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O dito pelo não dito: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades

por José Renato Autílio

A comunicação social é uma ferramenta poderosa e transformadora, moldando a forma como percebemos o mundo e interagimos com ele. No entanto, seu impacto não se limita ao que é dito explicitamente; o “não dito” também exerce uma influência significativa.

Neste contexto, a comunicação pode ser um campo fértil para a propagação de informações verdadeiras e construtivas, mas, também, pode ser uma plataforma para a disseminação de “fake news” e mensagens prejudiciais às pessoas e à sociedade como um todo.

A comunicação social – na essência e abrangência do tema – através de diversos canais como mídia tradicional e redes sociais, possui o potencial prioritário de educar, informar e engajar o público em discussões significativas. Quando usada de maneira ética e responsável, a comunicação pode promover a transparência, fomentar o diálogo e criar conscientização sobre questões importantes. Entretanto, seu poder também pode ser mal utilizado.

O perigo: o conceito de “não dito” refere-se às mensagens implícitas, omissões e subtextos que muitas vezes são mais influentes do que as palavras propriamente explícitas. O que é omitido ou silenciado pode formar preconceitos, estigmas e influenciar a opinião pública de maneira perigosa. Em redes sociais, por exemplo, a falta de informações completas ou a escolha de apenas destacar certos aspectos de uma história (por meio de pílulas de conteúdos) pode criar uma narrativa distorcida que engana os usuários.

As redes sociais têm se tornado um terreno fértil para a disseminação de “fake news” – a rapidez com que as informações são compartilhadas e a falta de verificação rigorosa contribuem para a proliferação de falsas notícias. As tão faladas “fake news” podem manipular a opinião pública, influenciar decisões políticas e até mesmo incitar violência. A capacidade de se espalhar rapidamente e alcançar um grande público é um reflexo direto do poder da comunicação social, mas quando utilizada de maneira irresponsável, pode ter efeitos devastadores. No entanto, o mais incrível é que da mesma forma que se proliferam rapidamente como “vírus”, morrem na mesma velocidade quando são expostas em ambientes mais complexos e inteligentes: o antibiótico ao vírus da má notícia é a informação verídica nas mãos de quem consome mais do que simplesmente as redes sociais.

É fundamental que indivíduos e organizações reconheçam a responsabilidade que vem com o poder da comunicação. A verificação de fatos, a transparência e o compromisso com a verdade são essenciais para garantir que a comunicação social sirva a um propósito construtivo. Além disso, é crucial que os usuários de redes sociais sejam críticos em relação às informações que consomem e compartilham, adotando uma postura ativa na busca e curadoria pela verdade.

O “não dito” na comunicação social é um fator poderoso que pode influenciar a opinião pública e moldar a sociedade de maneiras sutis, mas significativas. O uso inadequado das redes sociais para disseminar “fake news” e informações enganosas destaca a necessidade de uma abordagem mais ética e responsável.

Somente com um compromisso com a verdade e a integridade na comunicação, podemos garantir que as ferramentas poderosas à nossa disposição sejam usadas para o bem comum e não para enganar ou prejudicar: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” (with great power comes great responsibility) – meus filhos adoram essa citação.

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